Morreu Palma Inácio que quis tomar de assalto a Covilhã

A sua vida foi marcada por um combate constante contra o Estado Novo

14-7-2009
Hermínio da Palma Inácio, militante histórico do PS e revolucionário português contra o Estado Novo, morreu ontem, terça-feira, em Lisboa, vítima de doença prolongada. “A população seria evacuada e a PSP e a GNR desarmadas. Após alguns dias, os ocupantes retirar-se-iam para o estrangeiro”, acrescenta o artigo assinado de Eduardo Mayone Dias [www.portuguesetimes.com]. Cerca de cinquenta membros da LUAR entram em Portugal por Moncorvo, em carros carregados de armas e explosivos. “A operação todavia fracassa quando um agente da PSP desconfia que um Mercedes conduzido e ocupado por jovens tivesse sido roubado. Palma Inácio reage com um tiro para o ar, é dado o alarme e todos são detidos”, descreve o professor catedrático, radicado nos Estados Unidos

A cidade da Covilhã está intimamente ligada à vida do fundador da Liga Unitária de Acção Revolucionária (LUAR) por ser alvo falhado do último e mais espectacular plano concebido por Palma Inácio em 1968, sete anos antes do antes do 25 de Abril.
 
“Propunha-se ele ocupar com elementos da LUAR a cidade da Covilhã, cujos acessos, incluindo estradas e pontes, seriam cortados com explosivos”, lê-se no Portuguese Times.
 
Hermínio da Palma Inácio (1922-2009), a quem o Presidente da República Jorge Sampaio atribuiu em 2000 a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, que lhe foi imposta por Manuel Alegre, tornou-se célebre por ter protagonizado em 1956 o primeiro desvio de um voo comercial de que há registo, durante o qual um avião da TAP sobrevoou Lisboa, Barreiro, Setúbal, Beja e Faro a baixa altitude para lançar cerca de 100 mil panfletos com apelos à revolta popular contra a ditadura.

A sua vida foi marcada por um combate constante contra o Estado Novo, tendo sido preso diversas vezes pela PIDE, destacando-se uma passagem pelos calabouços do Aljube, onde protagonizou uma fuga histórica. Esteve envolvido, entre outras acções, no assalto à dependência do Banco de Portugal na Figueira da Foz, concretizada em Maio de 1967 com Camilo Mortágua, António Barracosa, e Luís Benvindo.

O assalto foi reivindicado como operação manifestamente política pela LUAR. No dia 25 de Abril de 1974, Palma Inácio estava preso em Caxias [Na sequência da detenção na Covilhã] onde recebeu por código morse as primeiras notícias da Revolução.

KA



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