Caixa de Crédito de Seia consolida-se como banco regional

Instituição passa a designar-se de CCAM da Serra da Estrela

9-7-2008
Instituição passa a designar-se de CCAM da Serra da Estrela e continuará a ter a sua sede em Seia. A Caixa de Crédito Agrícola Mútuo (CCAM) de Seia, depois de ter há alguns anos atrás incorporado por fusão a instituição congénere de Pinhel, prepara-se agora para integrar, gerir e explorar também as caixas de Fornos de Algodres, Guarda e Celorico da Beira e Vila Nova de Tázem. A proposta de fusão, discutida e analisada em assembleia-geral extraordinária, no passado dia 20 de Junho, em Seia, foi aprovada por unanimidade e aclamação. O projecto de fusão, ao qual o PE teve acesso, esteve disponível nos balcões de todas as caixas do Crédito Agrícola envolvidas e, segundo o mesmo, vai permitir ter uma área social em sete dos 14 concelhos do Distrito da Guarda, designadamente em Seia, Manteigas e Pinhel (estas já sob alçada da instituição de crédito de Seia), a que se juntam agora Gouveia, Fornos de Algodres, Celorico da Beira e Guarda.

O processo de fusão vai efectuar-se por incorporação, ou seja, o património global das três caixas agrícolas a integrar vai ser transferido para a Caixa de Seia, que passa assim a assumir os direitos e obrigações das caixas incorporadas. Assim sendo, a “nova” instituição, que vai ter sede em Seia, vai passar a chamar-se de “CCAM da Serra da Estrela” e deverá entrar em funcionamento já em Outubro deste ano.

De acordo com o Presidente da Assembleia Geral, «trata-se de um projecto importante para o desenvolvimento do Concelho e para a própria Caixa». António Duarte considerou também ser «um dia importante e histórico para Seia e para os concelhos envolvidos na fusão».

Por sua vez, também o Presidente da Direcção da Caixa de Seia, José Pinto Mendes, salientou que «a boa posição» da Caixa de Seia a nível nacional «é um factor a ter em conta, obrigando a expandir-se a nível regional», destacando ainda o facto de ser a Caixa de Seia a estar na liderança de todo o projecto, «como não podia deixar de Seia, uma vez que é líder na região onde se insere».

Ainda de acordo com o projecto agora aprovado, «a fusão que se pretende é um acto pelo qual as Caixas Agrícolas reúnem as suas forças e capacidades, fundos e quadros, a fim de formarem, com os associados, uma única entidade jurídica, economicamente mais forte». O documento refere igualmente que se pretende com esta fusão a criação na região de uma Caixa Agrícola «mais forte, dinâmica, e capaz de defender os interesses de todos os seus associados». «Esta união de esforços irá proporcionar melhores serviços aos associados e clientes das Caixas Agrícolas intervenientes e, consequentemente, melhorar as condições de competitividade e de penetração no mercado face às demais instituições de crédito que operam nos respectivos concelhos».

O projecto já havia sido aprovado em Abril deste ano pelas direcções das quatro caixas, que depois o submeteram à aprovação, com sucesso, das respectivas assembleias gerais.

Caixa de Seia é a líder do projecto

Quanto aos grandes números do Balanço, em Março deste ano a Caixa de Seia detinha mais de 74 milhões de euros em depósitos e havia emprestado a clientes mais de 40 milhões de euros, tendo também cerca de 40 milhões de euros depositados na Caixa Central. Quanto às caixas a incorporar, Vila Nova de Tázem apresenta valores cerca de quatro vezes inferiores aos da Caixa de Seia, assim como a instituição da Guarda e Celorico da Beira. Por fim, e em resultado da dimensão do concelho em questão, a Caixa de Fornos de Algodres é ainda mais pequena do que as anteriores. Assim, estes números, descritos no projecto de fusão, revelam que a Caixa de Seia «é nitidamente a líder do projecto».

Com a constituição da CCAM da Serra da Estrela, o montante global dos depósitos aumenta para os 131 milhões de euros, o total do crédito aproxima-se dos 70 milhões de euros e as disponibilidades situam-se nos 73 milhões de euros. Os dados de Março da junção das quatro Caixas apresentam também um capital próprio próximo dos 20 milhões de euros e um activo de 155 milhões de euros. «Fica uma grande instituição de crédito na região, com um grande potencial para ser o motor de desenvolvimento desta região», salienta a Direcção da Caixa de Seia.

Nos indicadores de gestão – disponibilidades, crédito vencido líquido, crédito vencido bruto, rácio e eficiência, produto bancário por empregado, activo líquido por empregado, comissões por produto bancário, entre outros –, impostos pela Caixa Central a todas as Caixas Agrícolas, a instituição de Seia, num total de 98 em todo o País, «é uma das sete que cumpre com todos os indicadores».

Nos rankings nacionais, situa-se sempre no meio da tabela, estando classificada no 41º lugar nos depósitos, no 56º nos créditos, no 37º nos fundos próprios, no 41º no activo líquido e no 19º nos resultados. As outras três caixas estavam classificadas nas últimas dez.

Com a constituição da CCAM da Serra da Estrela, os depósitos sobem para o 17º lugar, os créditos para o 27º, os fundos próprios para o 12º e o activo para o 17º, embora os resultados desçam para o 20º lugar, uma vez que os lucros das caixas de Vila Nova de Tázem e de Fornos de Algodres «não é suficiente para cobrir o prejuízo» da Caixa da Guarda e Celorico da Beira.

De acordo com Tenreiro Patrocínio, membro da Direcção, o projecto «vai ser fundamental» para a Caixa de Seia e para o Concelho de Seia, «mas também é importante para os outros concelhos, porque vão poder usufruir da experiência que a Caixa de Seia tem», destacou. E acrescentou ter a certeza de que a CCAM da Serra da Estrela «será o motor de desenvolvimento não só do Concelho de Seia mas de todo o Distrito da Guarda».

Sócios aplaudem projecto

Alberto Martinho, que até propôs um voto de louvor à Direcção da Caixa de Crédito de Seia, estava muito satisfeito no final da reunião por os sócios «terem viabilizado a criação de um grande banco regional», até porque para além do crédito, a Caixa disponibiliza diversos serviços aos associados, nomeadamente seguros e “leasing”, «dispondo assim de um vasto leque de opções».

Este facto levou um membro da Direcção da Caixa a referir que de todas as caixas envolvidas neste processo «só a Caixa de Seia tem autorização do Banco de Portugal para efectuar todas as operações bancárias». Disse ainda que um novo projecto que está para apreciação junto do Secretário de Estado do Tesouro «vai permitir a algumas Caixas, sendo uma delas Seia, obter autorização para ampliar ainda mais o negócio bancário e de seguradora».

Também presente na Assembleia esteve Eduardo Brito. O Presidente do Município de Seia sublinhou que a Caixa «é já um parceiro importante da Câmara», destacando o facto de nos últimos tempos «vir a ganhar ao nosso tradicional banco, que é a Caixa Geral de Depósitos, o que só prova que é muito boa». «É muito bom termos próximo de nós um parceiro com este nível de competitividade», destacou o autarca, que considera a decisão um «passo muito importante para ajudar a sede do Concelho a assumir um papel cada vez mais forte».

Recorde-se que a Caixa de Seia tem vindo a apresentar propostas de financiamento ao Município de Seia, quando este lança as respectivas consultas públicas, e tem ganho praticamente todas, sendo que a mais recente foi de um empréstimo de 1,2 milhões de euros. O objectivo da Caixa «é ganhar todas as propostas» nos municípios do Distrito da Guarda.
No projecto também surgem descritos os membros dos órgãos sociais para o primeiro mandato a designar na escritura de fusão por incorporação. Para a Assembleia-Geral a Caixa de Seia nomeia o presidente, a Guarda o vice-presidente e Vila Nova de Tázem o secretário, tendo sido escolhidos, respectivamente, António José Madeira Amaro, Romeu Antunes Gonçalves e Carlos Alberto Carvalho Marvão.

Na Direcção ficam representadas quatro pessoas da Caixa de Seia, e outras três serão distribuídas pelas Caixas de Vila Nova de Tázem, Fornos de Algodres e Guarda. Assim, a CCAM da Serra da Estrela vai ser presidida por Licínio Manuel Prata Pina (Seia) e vai ter como vogais José Pinto Mendes, Carlos Alberto Dias Figueiredo e José António Tenreiro Patrocínio (todos também de Seia), Francisco Alves Campos (Vila Nova de Tázem), José Carlos Carvalho Batista (Guarda) e Luís Videira Poço (Guarda).

O Conselho Fiscal vai ser presidido por José Manuel de Lima Toscano Pessoa (Vila Nova de Tázem), tendo como secretário António Manuel Pina Fonseca (Fornos de Algodres) e vogal Alcides Soares Henriques (Seia).
Antes de Seia, o projecto de fusão já tinha sido aprovado em Fornos de Algodres, tendo-se seguido Vila Nova de Tázem e a Guarda.

Número de balcões sobe de oito para quinze

A CCAM de Seia foi constituída por escritura pública em 30 de Março de 1981. Vinte anos depois, no dia 16 de Maio de 2001, foi realizada a escritura de fusão com a Caixa de Pinhel. Desde essa data, possui oito balcões – Seia, São Romão, Paranhos da Beira, Loriga, Manteigas, Pinhel, Pínzio e Freixedas –, distribuídos por três concelhos.

Contando agora com as restantes Caixas Agrícolas a fundir – a de Vila Nova de Tázem (com balcões nesta vila, em Gouveia e em Arcozelo da Serra), a da Guarda e Celorico da Beira (que possui três balcões, dois nas respectivas sedes dos dois concelhos e um na localidade de Trinta), constituídas no dia 21 de Dezembro de 1979, e a de Fornos de Algodres (com apenas um balcão), constituída a 27 de Março de 1981 –, aumentará para 15 o número de balcões, ficando assim representada em sete concelhos.


Porta da Estrela



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