Concelho de Proença com saldo positivo de CO2

Com o principal objectivo de «despertar consciências»

8-2-2008
A Câmara de Proença-a-Nova apresentou hoje um estudo que revela que o município tem um saldo positivo anual de 36 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) sequestrado da atmosfera. O estudo "Proença-a-Nova: Um Concelho Carbono Mais" calculou o saldo entre o CO2 (gás de efeito de estufa) emitido para atmosfera no concelho entre 2004 e 2006 e quanto é que a floresta da área do município conseguiu absorver através da fotossíntese. "O nosso principal objectivo é despertar consciências", disse à Agência Lusa João Paulo Catarino, presidente da autarquia, para quem "o Governo tem que discriminar positivamente os municípios que fixam carbono e dar-lhes mais verbas".

"A retenção de carbono tem que ser um dos aspectos a ter em conta numa próxima Lei das Finanças Locais", defendeu o autarca, acrescentando que 68 por cento dos 400 quilómetros quadrados do seu concelho, na região do Pinhal Interior, são área florestal.

Para já, a Câmara de Proença-a-Nova vai certificar o saldo positivo com o apoio de uma empresa alemã (Tuv Nord) e pode vir a convertê-lo em euros no mercado europeu voluntário de carbono.

"Qualquer receita que no futuro venha a ser obtida vai servir para reinvestir na floresta", explicou o autarca.

"Este trabalho que estamos a desenvolver era uma promessa eleitoral feita há três anos, muito antes de o assunto se tornar moda e ganhar mediatismo", sublinhou.

O saldo positivo hoje apresentado pela Câmara de Proença-a-Nova deverá crescer ainda este ano, uma vez que o estudo não incluiu a quantidade de electricidade produzida no concelho através de energia eólica.

"Desde 2007 que temos uma capacidade instalada de 57 MW cujos efeitos só estarão totalmente medidos este ano", disse.

Ao ser produzida sem queima de combustíveis, a energia de fontes renováveis reduz as emissões com efeito de estufa.

Segundo o estudo, assessorado pela multinacional CantorCO2e, a principal fonte de CO2 no concelho de Proença-a-Nova é o consumo de gasóleo, com uma média de 8.770 toneladas de emissões por ano, seguida do consumo de energia eléctrica, com uma média de 8.197 toneladas por ano.

Juntando todas as fontes, durante os três anos do estudo, contabiliza-se um total de 72.196 toneladas de CO2 libertados na atmosfera, o que perfaz uma média anual de 24.056 toneladas.

Por sua vez, o inventário florestal calculou um sequestro de CO2 médio anual de 60.223 toneladas, de onde se obtém o saldo positivo de 36.167 toneladas.

O efeito de estufa, que provoca o aquecimento global do planeta, tem-se acentuado devido ao aumento das emissões de gases resultantes das acções humanas.

Durante os últimos 200 anos, a queima de combustíveis fósseis e a destruição das florestas, entre outros factores, fizeram com que, nem a fotossíntese, nem outros métodos de sequestro de carbono da atmosfera, tenham ainda conseguido compensar as quantidades emitidas.

A capacidade de retenção e armazenamento do carbono pelas florestas a longo prazo está prevista no Protocolo de Quioto, que prevê a redução da emissão de gases com efeito de estufa.

Lusa



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